REDES QUE PROVÊEM MOBILIDADE
Patrícia Joaquim (pjoaquim@itmidia.com.br)
As wireless LANs promovem, além de flexibilidade, conectividade e movimento aos usuários. Este pode ser o primeiro apelo na oferta de uma rede sem fio.
A retórica de um mundo totalmente conectado está cda vez mais próxima da realização plena. Com um adendo gracioso: tais conexões são estabelecidas sem a necessidade de cabos, aumentando o poder da mobilidade. Não é filme, e sim parte de um grandioso mundo virtual. Uma das tantas tecnologias que permitem a conectividade sem fios é a Wi-Fi (wireless fidelity, em inglês) que provê a interconexão entre dispositivos. O mercado corporativo já percebeu os benefícios que o acesso móvel oferece e tem impulsionado os projetos de WLAN (Wireless Local Area Network).
Segundo a Infonects Research, a receita mundial de equipamentos do gênero atigiu US$ 775 milhões no primeiro trimestre de 2007, com um aumento de 5% em relação ao registrado no trimestre anterior. O mercado corporativo foi o responsável por mais de 51% deste total, produtos residenciais, 43%, e serviços, 6%. A venda de access points (AP) correspondeu a 78% do total e os switchs para redes sem fio, 22%. Ainda de acordo com a pesquisa, a previsão é que em 2010 a receita com a oferta de equipamentos para WLAN salte para US$ 4,7 bilhões. Uma cifra nada desprezível. Por esta razão, o canal deve ficar atento a oportunidades relativas à oferta de soluções wireless como complemento a redes cabeadas dos clientes.
Os ganhos com equipamentos sem fio para redes internas não se limitam ao valor do produto. WLANs exigem, sobretudo, um projeto sério para que o uso possa ser efetivo, eficiente e lucrativo. Bom para os canais, que podem ai, oferecer e ganhar com o famoso valor agregado. “No Brasil, a conectividade com cabo é muito maior do que a sem fio. Por isto, as companhias nacionais estão implementando a WLAN à medida que promovem atualizações nos parques atuais”, afirma o presidente da Nortel do Brasil, Juan Chico.
AMADURECIMENTO EM SEGURANÇA
A revenda tem de estar capacitada para solucionar os produtos críticos de um projeto de WLAN. Para Antônio Mariano, diretor de engenharia de sistemas da 3Com, cabe ao parceiro ofertar um pacote de produtos somando implementação, customização e , principalmente, um levantamento do espaço, o chamado “site survey”. “O estudo do parque é fundamental para o sucesso da instalação, já que a incorporação de uma WLAN depende muito da tipografia do local. O objetivo é saber quantos APs serão necessários para cobrir a área”, afirma o vice-presidente da Interasys para a América Latina, Marcelo Rezende, que também aponta o trabalho de consultoria como vantagem para a revenda. “Assim, com as informações, é possível dimensionar o número exato de equipamentos e de usuários que serão autenticados”, endossa Rodrigo de La Fuente, diretor comercial da D-Link.
Embora a tecnologia ainda esteja em amadurecimento, o quesito segurança – fundamental em um projeto de WLAN – atingiu um nível tão robusto que é hoje um dos principais apelos à implementação de equipamentos sem fio. Com o uso de um padrão avançado, que compreende a utilização de criptografia e mecanismos de autenticação, é possível garantir um maior nível de proteção do ambiente. “A rede wireless se tornou tão impenetrável, que algumas empresas utilizam os requisitos de segurança da WLAN em redes cabeadas”, afirma Maurício Gaudêncio, gerente de desenvolvimento de negócios da Cisco para América Latina.
Os produtos que compõem uma WLAN possuem dispositivos de proteção que devem ser ativados conforme a necessidade da companhia. Holar Caffagni, diretor de negócios da Trellis, alerta que também é papel do canal aplicar tais recursos conforme especificações do cliente e incentivar a adoção e a criação de uma cultura dos padrões máximos de segurança entre usuários.
UMA QUESTÃ0 DE QUALIDADE
“Historicamente, tínhamos um deficit na qualidade dos serviços prestados em um rede sem fio. Atualmente, até os usuários que usam telefonia IP em conexões de rede sem fio, ganham com qualidade”, aponta Mariano da 3Com, que explica as maneiras de priorizar voz, por exemplo, em ambientes wireless compartilhados. Este é outro ponto que vale ser ressaltado: a qualidade do serviço que é ofertado melhorou e conquistou cada vez mais clientes. Segundo Juan Chico, da Nortel, as organizações já notaram que é perfeitamente possível o tráfego de dados, voz e vídeo em uma WLAN.
Com isto, a tecnologia agrega mais um atrativo: além de capacidade de disseminar informações de diversos tipos, ela permite o livre movimento do usuário da rede. “Antes , as pessoas desejavam serviços Triple Play. Hoje se fala em Quadruple Play, que além de dados, voz e vídeo, contempla a mobilidade gerando cada vez mais produtividade dentro das organizações”, indica o diretor de canais da Cisco Brasil, Marco Sena.
O gerenciamento de uma WLA também foi simplificado graças a evolução da tecnologia. Atualmente, todo o controle pode ser feito por meio de um wireless switch controller, equipamento responsável pelo monitoramento centralizado de todos os pontos de acesso de cada rede. “Esses pontos precisam apenas de funções de rádio e de criptografia para compor um infra-estrutura unificada de rede sem fio”, explica Mriano da 3Com.
Segundo Juan Chico, o preço é outro argumento que deve ser levado pelo canal no momento da venda. “Apesar de robusta, a tecnologia é simples e tem custo enxuto. Imagine inutilizar os cabos e não precisar quebrar nada para expandir a rede de seu cliente, afirma o executivo, ressaltando que tais pontos promovem para a revenda a fidelização da carteira. “O parceiro expande o relacionamento ofertando uma solução mais barata e flexível”.
APLICABILIDADE
As soluções wireless aplicadas à rede interna das companhias permitem a incorporação de outros elementos de mobilidade, tais como câmera IP, voz, PDA, funcionários móveis etc. “A solução via canal deve vir com todos os componentes”, afirma Rodrigo de La Fuente, da D-link, empresa que tradicionalmente atendia os mercados doméstico e SOHO (small office, home office, em inglês), mas que, em 2007, se posicionou mais fortemente no segmento corporativo e conta com os projetos de wireless para oferecer soluções mais complexas a este nicho.
Para Maurício Gaudêncio uma rede sem fio pode ser comercializada a qualquer setor de mercado, mas sobretudo em indústrias e hospitais, por conta da mobilidade, e em prédios públicos e edifícios tombados pelo patrimônio histórico, que devem ter ua infra-estrutura física preservada.
O executivo cita o bem-sucedido case da Alcoa, fornecedora do segmento de alumínio, que implementou no consórcio Alumar, localizado em São Luiz (MA), um projeto com soluções de telefonia IP e wireless. Com tecnologia da Cisco, a empresa instalou uma WLAN no chão de fábrica e disponibilizou a seus operadores pocket PCs, permitindo o rápido acesso às variáveis do processo e a implementação da voz sobre IP. Segundo a companhia, a iniciativa diminuiu o tempo de resposta da tomada de ação pelos operadores e, consequentemente, teve impacto direto na qualidade e na produtividade do alumínio produzido.
A linha de produção da Alumar é composta por cerca de 610 pequenas salas. Antes da implementação, o operador desses espaços possuía como ferramentas de trabalho um PC situado na sala de controle, um rádio e um celular. Caso fosse observada alguma falha no processo, o funcionário deveria se deslocar até a sala de controla mais próxima, que poderia chegar a 600 metros do seu local de trabalho, a fim de checar os dados do processo e tomar as ações pertinentes. Com a solução, tornou-se possível sanar o problema apenas com o uso do pocket PC de qualquer lugar da fábrica, e ainda acessar dados da Alcoa remotamente.
NOVO PADRÃO A SER LANÇADO/CERTIFICADO
Em meados de 2008, deve surgir um novo padrão para os equipamentos para WLANs, porém, o ritmo de amadurecimento da tecnologia wireless no País, não se pode prever a adoção das empresas brasileiras nos novos produtos.
A Nortel mundialmente em julho em julho sua visão para uma “Empresa Desconectada”, criada para permitir que as corporações tenham ambientes de escritório totalmente sem fio, livre dos cabeamentos tradicionais. Parte da solução planeja incluir wireless LAN de próxima geração com acesso a velocidades mais rápidas do que as atuais.
Para isto, a companhia pretende usar sua experiência para desenvolver um novo portfólio de produtos wireless LAN para dar suporte à tecnologia MIMO (multiple input/multiple output), baseada no padrão IEEE802.11ª, 802.11b, 802.11d ou 802.11g. A fabricante pretende desenvolver os equipamentos alinhados ao padrão 802.11n, que deve ser definido até o segundo semestre de 2008. Segundo o “Relatório de previsão de 5 anos de wireless LAN” do grupo Dell’Oro, de janeiro deste ano, o mercado de WLAN deve atingir US$ 2,9 bilhões em 2009, com mais da metade das rendas de ponto de acesso proveniente do 802.11n. A Infonetics Research também aposta que o mercado de WLAN continuará a crescer, sobretudo, por conta do novo ciclo de atualizações dos equipamentos, estimulado pela disponibilidade de produtos 802.11n.
As empresas consultadas para esta matéria, inclusive a Nortel Brasil, apontaram que esperam a homologação do novo padrão para a oferta de produtos 802.11n. Embora algumas delas já admitam que estejam com alguns equipamentos em fase de teste.
