27/04/2009 | Damon Poeter da ChannelWeb

Perguntas e respostas: Steve Dallman, da Intel

Líder mundial de canais da fabricante fala sobre as iniciativas junto ao setor público, dentro do pacote de incentivo do governo federal

A Intel há muito tempo vem fazendo investimentos a longo prazo em projetos de educação e infraestrutura de TI. Agora, com o incentivo federal que começa a chegar aos cofres públicos, a gigante fabricante de chips está afinando sua estratégia para participar de iniciativas voltadas a digitalizalização de registros de seguros de saúde, cobertura de banda larga wireless por todo o país, desenvolvimento de uma rede elétrica "inteligente" e muito mais.

A Intel também espera levar seus canais para a jornada, diz Steve Dallman, vice-presidente do grupo de vendas e marketing da Intel e gerente-geral da organização mundial de vendas indiretas da compahia. No Intel Solutions Summit, que aconteceu no mês passado, em Las Vegas (Estados Unidos), o executivo apresentou um painel com o intuito de educar os parceiros em oportunidades e estratégias para aproveitar a nova rodada de investimento em TI pelo setor público. Acompanhe a entrevista.


Channelweb - Como os canais podem tirar vantagem da estratégia da Intel no setor público?

Steve Dallman - Durante essa última década, a Intel vem falando sobre produtividade. Acredito que algumas coisas nesse pacote de incentivo podem construir uma infraestrutura duradoura. Então, se isso é algo que o país precisa e decidiu fazer, vamos realizar da maneira correta e cuidar da educação e da banda larga. Vamos tentar descobrir um jeito para utilizar servidores inteligentes e reduzir o consumo de energia.

Entretanto, queremos definitivamente nos afastar da atitude que algumas pessoas têm no sentido de ‘cair de cabeça" no dinheiro do governo. Podemos conseguir algo bom e duradouro, apenas dando um jeito nas contas atuais. Adoraríamos ver a educação prosperar. Acreditamos que, se isso acontecer, ajudará nossos negócios e os negócios de nossos parceiros. Estamos rezando para vermos mais engenheiros saindo das universidades.

Channelweb - Como você diz, há a necessidade de melhorias em infraestrutura a longo prazo e na educação. Há também aspectos de pesquisa científica no pacote de incentivo. Da perspectiva do canal, um pouco egoísta, penso "vocês deveriam estar construindo estações de trabalho de ponta". Existem áreas específicas como essa, em que a Intel vê o trabalho com seu parceiro para construir licitações, vencê-las e entregá-las?

Steve Dallman - Essa é uma boa pergunta. Há duas semanas, passei uma semana em [Washington] D.C. e foi interessante ouvir as pessoas por lá. Acho que uma das coisas das quais nossos parceiros realmente vão tirar vantagem, seja integrando e construindo sistemas ou apenas revendendo sistemas como um grande provedor de solução, é que esse dinheiro não vai ser usado de uma maneira inovadora. Será gasto da mesma forma de sempre. Portanto, as primeiras pessoas que vão se beneficiar dessa verba são aquelas que já fazem negócios com órgãos públicos estaduais e municipais e já estão conectadas. Se tivéssemos que recriar uma maneira totalmente nova de se fazer as coisas, demorariam dois anos para que o dinheiro começasse a entrar na economia, para criar empregos e resolver os problemas. Então, um número enorme de parceiros que integram e também revendem nossas máquinas estão muito ligados aos governos estaduais e municipais e nem tanto ao governo federal.

Os estados e municípios têm uma lista enorme de projetos em que gostariam de investir, porém, tiveram de ser cortados. Mas agora eles podem voltar a fazer o que projetaram. Outra área em que nossos parceiros já estão conectados, que parece ser um caminho mais curto, é o da saúde, no sentido de digitalizar os registros do setor. Acredito que haverá mudanças incríveis na forma como isso será gerenciado. Esta poderá ser a primeira e real inovação em produtividade na indústria médica desde muito tempo. Nossos parceiros estão numa posição extraordinária para ajudar o segmento com isso.

Channelweb - E para falarmos sobre Nehalem e a última tecnologia da Intel, os avanços tecnológicos referentes à economia de energia, há também toda uma questão ambiental nos projetos de TI do governo. Há certos padrões que devem ser cumpridos. Você consegue ver a Intel e seus parceiros sendo capazes de vender mais dessa nova tecnologia?

Steve Dallman - Sim. O mundo foi pego de surpresa quando o bug do milênio apareceu, não foi? E não tenho certeza de que a situação atual de energia, o foco que a indústria americana está dando finalmente, que os políticos estão dando e o que as pessoas estão dispostas a pagar por isso, não vão se tornar no bug do verde ou algo parecido.

Quando falamos do Nehalem, por conta do servidor inteligente que estamos usando, você pode pegar um processador quad core, ligar ou desligar esses núcleos, ou ainda diminuir a freqüência, dependendo da carga de trabalho utilizada, e aí você tem uma redução enorme do estado de ociosidade. Então, você verifica quantos servidores pode deixar de lado e os substitui por um desses novos produtos. Não há necessidade de tantas licenças de software, pois você rodará em apenas uma máquina ao invés de nove.

Então, com a energia que você está economizando, o retorno de investimento (ROI) para a indústria fica em torno de oito meses. Agora, olhei para isso e achei que fosse uma declaração agressiva. Porém, já vi muitos clientes falarem com grandes empresas sobre esses servidores e tudo o que eles podem fazer, e vejo que os gerentes de TI não estão contradizendo nenhum desses pontos. Estão economizando, definitivamente.

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