29/12/2011 | Martha Funke, especial para a CRN Brasil

Perdas e ganhos

O último mês de 2011 (que para nós, da Redação, teve de contar com apenas uma semana para que pudéssemos fazer estas páginas chegarem às suas mãos, caro leitor, ainda este ano), começa com uma bomba no mercado da distribuição: depois de encolher suas operações em julho, em função de complicações com questões tributárias inviabilizando manter os trabalhos no mesmo ritmo de antes, a Tech Data resolve encerrar seus negócios no Brasil, onde chegou em 1997.

Em comunicado, Luis Oliveira, vice-presidente e gerente-geral da empresa na América Latina, explica que devido às mudanças nas políticas fiscais do Brasil, a distribuidora descontinuaria as vendas de hardware para fora do estado de São Paulo, mas que as vendas para outras regiões do País seriam atendidas por Miami – a comercialização de software não sofreriam impacto. “O fechamento se dá pelo ambiente complexo em impostos, leis e questões regulamentárias brasileiras, que torna difícil para a companhia gerar retorno suficiente sobre o capital investido”, disse, depois de um comunicado assinado pelo CEO da companhia, Robert M. Dutkowsky. Como resultado, a companhia espera perdas operacionais e outras cobranças no quarto trimestre fiscal de 2012 de 22 milhões a 25 milhões de dólares.

Isso logo antes de serem divulgados os resultados de um estudo encomendado pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação (Abradisti) à IT Data, para mapear o desenvolvimento do setor. As projeções indicam que o crescimento do mercado brasileiro de distribuição chega a 7,6% frente a 2010, com faturamento acumulado ao longo do ano de 12,7 bilhões de reais. O levantamento foi feito junto a 86 empresas – representantes de mais de 95% do segmento, que gera 9,9 mil empregos no País. Do faturamento total, 84% provém de venda de hardware, 10% de software e 1% de serviços. Componentes representam 18%, PCs e servidores, 15% e produtos de redes, 12%. O alto valor dos impostos é um dos destaques: com emissão de, em média, 340 mil notas fiscais a cada mês, o recolhimento apurado em 2011 supera 1 bilhão de reais.

O levantamento retratou também o universo de revendas atuantes no país, que passou de 29,5 mil em 2010 para 31 mil este ano, 60% delas com faturamento inferior a 500 mil reais ao ano. Uma em cada cinco conta apenas com o dono e 83% possuem até dez profissionais. Somados, os canais geram 158 mil empregos.
Entre as boas notícias, o LinkedIn, rede social para contatos profissionais, abre sua primeira unidade na América Latina com um escritório no Brasil, onde contava com 1 milhão de usuários em abril de 2010 – naquele mês, foi lançada a versão em português do serviço, que fez o número ser multiplicado por seis. No ano de destaque para as redes sociais, a Bematech segue a onda e lança sua rede social corporativa, a Conecta, para ser comercializada na modalidade SaaS e que funciona como canal entre colaboradores, empresa/cliente, empresa/parceiros e até clientes/clientes. E o Brasil marca presença até na pequena Lugano, cidadezinha suíça do cantão italiano de Tessino com 30 mil habitantes, que adota a ferramenta EQM Suite, da SoftExpert, para aprimorar seus processos de auditoria interna.

A Dell, por sua vez, avisa que pretende investir mais no desenvolvimento de negócios com o canal e trará para o País três novas certificações para atuação por vertical de mercado: governo, saúde e educação, enquanto a Oracle anuncia sua intenção de triplicar o número de canais que possui na América Latina e no Brasil (atualmente, 1,8 mil no total).

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