11/12/2015 | Fonte: Computer World.

Melhoria dos serviços de saúde demandam informatização da área clínica

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Há 10 anos, muitos hospitais utilizavam soluções tecnológicas desenvolvidas internamente e suas iniciativas de informatização estavam focadas na adoção de sistemas administrativos e financeiros, sem quase nenhum impacto na área clínica. Como resultado, hoje há um baixo índice de certificações ou implantações de prontuários eletrônicos dos pacientes (PEP) nas instituições de saúde. Para se ter uma ideia, o Brasil tem menos de 200 hospitais com certificação ONA (Organização Nacional de Acreditação), que entre outros requisitos, exige que a instituição faça uso de um PEP.

O que atrasa o processo é o fato dos executivos das instituições de saúde não enxergarem os benefícios proporcionados pelos investimentos de capital na adoção de novas tecnologias. É preciso entender as vantagens da automação de processos, tanto do ponto de vista administrativo, como clínico, que refletem na redução da sinistralidade. O grande desafio hoje dos fornecedores de TI na área de saúde é exatamente demostrar o retorno sobre os investimentos (ROI) dos projetos.

O cenário atual está mudando e podemos enxergar uma ruptura em relação aos modelos e a aplicação da tecnologia na saúde, transferindo o foco para a obtenção de informações relacionadas à gestão clínica. Os sistemas de gestão (ERP) integrados já contribuem para minimizar os erros, reduzir custos, automatizar os processos clínicos, registrar eletronicamente as informações dos pacientes e ajudar a reduzir a repetição de procedimentos. Porém, a simples implementação de sistemas de tecnologia, sem a revisão dos processos, não traz necessariamente grandes ganhos. Os fornecedores precisam focar primeiramente em rever esses aspectos juntamente com as administrações dos hospitais e operadoras de saúde, antes de iniciar a adoção de uma nova tecnologia.

Outro ponto crucial a ser pensado é que o paciente é quem deve ser o proprietário das informações relacionadas à sua saúde e ter o poder de dividir seu histórico com quem ele bem entender. E o PEP contribui muito pouco do ponto de vista do paciente, quando ele está fora do hospital. Uma pessoa, por exemplo, que a vida toda foi atendida por uma determinada instituição e repentinamente, durante uma viagem, foi acometida de algum problema de saúde, não terá acesso ao seu histórico no momento deste atendimento. Para que seja feito um diagnóstico e para definir uma linha de tratamento, será preciso passar por uma bateria de exames, que não seria necessária se houvesse acesso ao PEP. Isso, além de aumentar os custos da saúde, atrasa o tempo do início do tratamento ou cirurgia, o que pode ser a diferença entre a vida e a morte, em caso de emergências. Embora haja um debate liderado pelo Conselho Federal de Medicina sobre a propriedade da informação clínica, é irreversível que mudanças ocorram.

Mas, infelizmente parece que o setor está esperando um fato novo, como a uberização para mudar essa situação. Isto que está acontecendo com os taxis já dá sinais de que irá para a área da saúde, como acontece em outros países. 56% das pessoas que procuram um pronto atendimento ou as UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) do SUS não precisariam estar lá realmente. Bastariam serviços de orientação médica, nutricional, farmacêutica, que poderiam ser fornecidos por telefone ou por chats na web. Esse tipo de atendimento é uma alternativa para suprir a carência e a falta de estrutura de atendimento que existe hoje e que ainda pode agravar-se, em função do envelhecimento da população e do surgimento de novas doenças.

Em suma, com a ampliação da adoção de tecnologia de gestão clínica, todas as informações, protocolos, procedimentos, registrados em um só local, os pacientes terão acesso aos seus registros médicos e isto irá certamente impactar em uma redução de custos, especialmente por conta da eliminação da repetição de procedimentos. Sem falar que isto trará credibilidade e confiança da parte do paciente. Desta forma, fica claro que a cadeia da saúde nos próximos anos deverá passar por grandes transformações em relação ao seu atual modelo, demandando necessariamente que o paciente participe da gestão de sua saúde de forma colaborativa.

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