23/07/2015 | Fonte: Computer World

Há espaço para a expansão da tecnologia cashless no Brasil?

Estamos realmente preparados para deixar o dinheiro vivo de lado e apostar na popularização dessa tecnologia?

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Aquela velha cena de tirar o dinheiro da carteira e guardar o troco após a realização de uma compra tem se tornado cada vez menos comum, especialmente com a popularização dos cartões de débito e crédito, muito mais práticos e ágeis que as notas ou moedas. Essa cena faz parte do universo dos pagamentos digitais e eletrônicos que compõem aquilo que muitos já chamam de cashless society (sociedade sem dinheiro).

Um relatório da Globant, empresa argentina que atua na criação de produtos de softwares com apelo para audiências globais, aponta o pagamento cashless como uma das tendências do mundo digital com maior possibilidade de crescimento nos próximos meses. Em alguns países essa realidade já está presente no dia a dia da população.

Um exemplo é a Suécia, líder mundial nesse quesito. No país, cerca de 80% de todas as movimentações financeiras ocorrem por meio de métodos eletrônicos. Muitos estabelecimentos locais, inclusive, não aceitam notas ou moedas.

Mas, e quanto ao Brasil? Estamos realmente preparados para deixar o dinheiro vivo de lado e apostar na popularização dessa tecnologia? Embora ainda de forma tímida no país, o sistema cashless já atinge diversos segmentos que facilitam a vida dos usuários, como estádios, feiras, clubes, shows, casas noturnas e escolas.

Se você pensar em um grande evento, tirar a carteira do bolso para realizar cada compra ou simplesmente levá-la ao show pode se tornar um incômodo. Por isso, já existem alternativas muito mais práticas, como os cartões pré-pagos ou pulseiras com tecnologia mifare (que possuem chips para transmissão de dados) que podem ser recarregados pela internet ou no próprio local do evento com créditos para a aquisição de alimentos, bebidas e outros produtos. Dessa forma, o usuário ganha muito mais praticidade e a organização, agilidade com transações mais rápidas e seguras, além da diminuição de filas.

O grande diferencial desse tipo de transação está em simplesmente aproximar o cartão ou pulseira com chip mifare da máquina para que a transferência seja efetuada. Basta o dispositivo possuir NFC (Near Field Communication), que está conectado a uma conexão wireless de transferência de dados a curta distância. Com um sistema de criptografia de leitura e gravação, esse tipo de transação é totalmente seguro contra qualquer tipo de fraude e pode até mesmo ser rastreado pela internet no caso de perda ou roubo.

Essa tecnologia é baseada no mesmo conceito já utilizado em algumas recargas do Bilhete Único, em São Paulo. Outro exemplo também é a utilização de celulares que já tenham tecnologia NFC instalado e podem atuar como meios de pagamento em diversos locais. Esse tipo de prática já cresceu 2275% nos últimos cinco anos, segundo dados do Banco Central. Ainda assim, sua adesão é baixa se comparada aos métodos mais tradicionais.

É claro que ainda há muito a avançar, uma vez que toda essa tecnologia ainda é desconhecida por grande parte da sociedade. É preciso divulgar esse sistema como uma facilidade para os grandes eventos e para o dia a dia das pessoas para que possamos caminhar para tornar o Brasil uma sociedade cashless, muito mais moderna e segurança.

*Bruno Lindoso é sócio fundador e presidente da netPDV, startup brasileira especializada em cashless e inteligência e gestão eletrônica de operação de eventos.

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