Google: há muito que se fazer pelos mecanismos de busca
- Executivos da companhia comentam desafios e afirmam que busca por voz beneficiará muita gente.
Como você avaliaria os buscadores disponíveis atualmente na internet? Você acha que eles cumprem com a função? Há melhorias a serem desenvolvidas? Berthier Ribeiro Neto, diretor de engenharia do centro de pesquisa e desenvolvimento do Google, em Belo Horizonte, e Victor Ribeiro, diretor de produtos da empresa para América Latina, procuraram responder essas e outras perguntas sobre o setor de buscas. E confirmaram: há muito que ser feito.
Para ilustrar a necessidade de aprimorar as buscas pela internet, Berthier utilizou como exemplo uma pessoa que está pesquisando "passagem de ônibus para São Carlos (cidade a 230 quilômetros de São Paulo". "Quem faz essa consulta quer o quê?" indagou. "A melhor resposta seria uma página com horários, preços de passagem. Mas, se você fizer esta consulta, o resultado não é bom", continuou.
Para o especialista, este simples exemplo certifica que o problema das buscas ainda não foi solucionado e nem deve ser do dia para noite. "Estamos tentando melhorar a tecnologia para prover os melhores resultados", confirmou, mostrando a inquietude da companhia com o seu negócio principal.
Victor Ribeiro também concorda que a questão está longe de ter uma solução, frisando que cada indivíduo tem uma necessidade diferente. Mas prevê: "para uma pergunta bem definida, haverá resposta. Algumas coisas estão sendo feitas neste sentido, são segredos guardados, mas isso será resolvido."
O diretor de produtos, que também lidera a rede social Orkut, que tem mais força no Brasil, ressaltou que a missão da empresa onde trabalha é organizar a informação no mundo e fazer essa informação acessível da melhor maneira possível. Ele confirmou ainda as falhas no sistema de busca por voz que está sendo testado nos Estados Unidos e comparou com o serviço oferecido atualmente na Índia. "A busca por voz funciona bem (na Índia) porque você liga para um número, uma pessoa atende e faz a busca. Temos um software para iPhone, mas está no início, há muito a se desenvolver", contou.
A personalização da busca realmente é uma necessidade e deve consumir muitas horas de trabalho das equipes de desenvolvimento do Google. O próprio presidente da empresa para América Latina, Alexandre Hohagen, havia afirmando em apresentação anterior a de Berthier e Victor, que a companhia quer entender exatamente o que cada pessoa busca.
"Já temos o autocompletar, a busca universal. Mais de 20% das buscas feitas diariamente são itens que não estavam na web antes de 90 dias. Pela velocidade com que se cria conteúdo, temos a necessidade de estar focado no tema da busca, sem mencionar o (sistema) voice. Um em cada cinco adultos não sabe ler, imagine fazer a busca por meio da voz", declarou Hohagen.
Centro na América Latina
Para esta melhoria, o Google conta também com as cabeças pensantes da América Latina, especialmente das mentes brilhantes brasileiras. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento instalado em Belo Horizonte é um prova desta aposta. "Há muitas pessoas com talento para engenharia, há talento local para tirarmos proveito", atesta Berthier, que chefia os engenheiros da unidade.
"É bom ter o centro no Brasil, estamos captando massa crítica importante de desenvolvedores. Tem empresas nacionais desenvolvendo coisas interessantes também", acrescentou Victor.
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