06/04/2009 | Gazeta Mercantil

Estaleiro já leva riquezas ao Nordeste.

imagem notícia

A chegada da indústria naval começa a espalhar riqueza por Pernambuco. O enorme galpão branco erguido na bucólica Ilha de Tatuoca, no Complexo Industrial e Portuário de Suape, é o sinal mais aparente desta transformação. A construção do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) injeta por mês cerca de R$ 50 milhões na economia do Estado com o pagamento de fornecedores, a compra de materiais e a mão-de-obra.

A mão de obra será uma das beneficiadas com os estaleiros - motivo pelo qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu em ressuscitar a indústria naval brasileira.

As contratações continuam aceleradas e a previsão é de 5 mil funcionários quando o EAS estiver funcionando em sua capacidade total, o que deve ocorrer no final de 2010.

Sem nenhum embasamento anterior na indústria naval, muitas vezes sequer no mercado formal de trabalho, os cerca de 2 mil funcionários já contratados pelo EAS têm que ser treinados para o corte de chapas de aço e a montagem dos navios. São cerca de 200 a 300 alunos por turma, a maioria jovens recrutados em escolas públicas de cinco municípios vizinhos e que têm, no mínimo, a oitava série do ensino fundamental.

"Nossa principal preocupação que era a falta de mão-de-obra qualificada na região está sendo superada porque os pernambucanos estão ávidos para ter uma profissão e mostram uma dedicação e uma motivação enorme", diz o presidente do Estaleiro Atlântico Sul, Ângelo Bellelis.

Parte dos postos de trabalho envolve alta remuneração - alguns salários são até maiores que a média de mercado por se tratar de profissionais especializados, muitos deles vindos de outros estados.

A sensibilidade dos nordestinos aliada a um alto nível de politização, segundo ele, dá uma boa combinação que, misturada à diversidade de funções e à origem dos funcionários, torna o quadro pessoal "muito interessante".

Mas também obriga os executivos e gerentes a aprimorar a comunicação interna e a postura de comando. Em duas paralisações, os funcionários reclamaram das condições de trabalho e do modo como eram tratados pelos chefes.

A queixa parece que deu resultados. No cargo há menos de um ano, o engenheiro eletricista e administrador de empresas, com experiência em indústrias multinacionais, Ângelo Bellelis, trouxe para a indústria naval estratégias de uma gestão mais moderna.

A cada três meses ele se reúne- com os trabalhadores no próprio galpão, abre espaço para perguntas e fala dos negócios, metas e resultados já alcançados e, mensalmente, faz um café da manhã com um grupo sorteado pelo setor de Recursos Humanos. Outro canal é o "viva-voz", urnas que recebem formulários onde eles reclamam, perguntam e fazem sugestões.

Missão complicada - O empreendimento, entretanto, conta com isenção total do ICMS, na aquisição de produtos da cadeia da indústria naval que vem se formando em Pernambuco, e nas vendas dos navios, plataformas (ou partes) e outros produtos que irá fabricar.

O benefício foi garantido pelo Programa de Desenvolvimento da Indústria Naval e de Mecânica Pesada no Estado (Prodinpe), aprovado pela Assembléia Legislativa de Pernambuco, em 2004, a fim de favorecer a instalação do empreendimento, e será ad eternun ou seja, sem prazo para terminar.

Em abril de 2010 sai o primeiro Suezmax construído em Pernambuco. Dois meses depois, serão os 36 blocos da P-55 que será finalizada no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Se tocar a execução do cronograma industrial não é uma missão simples, ela ganha ares de desafio quando se dá ao mesmo tempo em que o EAS se constrói.

A primeira esteira rolante foi instalada na última sexta-feira. Formada por duas traves com 45 metros de comprimento e capacidade para transportar blocos de aço de até 150 toneladas para a montagem dos navios, ela é um dos gigantes que já muda até o tráfego da região. O transporte entre a fábrica da Galvaniza e o galpão na Ilha de Tatuoca levou dois.

Investimentos içados - A partir deste mês, o galpão de 12 mil metros quadrados começa a dobrar de área. Ao mesmo tempo, o empreendimento assina contrato com o BNDES para a liberação de mais R$ 542 milhões do Fundo de Marinha Mercante. Os recursos vão bancar a ampliação e a compra de outros equipamentos de grande porte como os "Golias", dois guindastes tipo pórticos, de 1.500 toneladas e 110 metros de altura que estão sendo fabricados pela coreana WIA, na China. Para se ter uma idéia, a Samsung, segundo maior player da indústria naval mundial e uma das sócias do EAS, possui guindastes de até 600 toneladas.

Enquanto os guindastes são produzidos, os investimento são içados dos R$ 1,1 bilhão iniciais para R$ 1,4 bilhão e a capacidade de processamento do EAS quase triplica. Passa das 60 mil toneladas por ano para 160 mil toneladas.

A consolidação e a expansão de um projeto que foi tachado de "estaleiro virtual" é lastreada pelo aumento das encomendas que começaram com os dez navios Suezmax contratados pela Transpetro para a primeira fase do Programa de Modernização da Frota (Promef). Em seguida, o EAS ganhou a licitação para a construção da plataforma P-55 da Petrobras, estimada em US$ 400 milhões.

Na sequência, recebeu mais um fatia do Promef que havia sido ganha pelo Consórcio Rio Naval mas, como ele não chegou a sair do papel, foi repassada pela Transpetro para o Atlântico Sul. Serão cinco navios Aframax, num total de US$ 517 milhões ou cerca de R$ 1,3 bilhão. A próxima garfada poderá ser no Promef II. O EAS obteve o melhor preço nos lotes três Aframax e quatro Suezmax mas ainda terá que disputar com o Estaleiro Ilha S/A (Eisa) que ficou em segundo lugar. A conclusão deverá ser anunciada ainda este mês.

Ver mais...

Últimas Notícias

Indústria 5.0: Uma Revolução Tecnológica no Serviço Humano

Quatro maneiras pelas quais a IA vai tornar o varejo melhor

Conheça o menor scanner profissional vestível do mundo

5 vantagens do Honeywell Voyager

Soluções de Saúde Móveis com os novos coletores: TC21| TC26 - HC

zaite
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nosso site.
Ao utilizar nosso site e suas ferramentas, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

HGCode - Política de Privacidade

Esta política estabelece como ocorre o tratamento dos dados pessoais dos visitantes dos sites dos projetos gerenciados pela HGCode.

As informações coletadas de usuários ao preencher formulários inclusos neste site serão utilizadas apenas para fins de comunicação de nossas ações.

O presente site utiliza a tecnologia de cookies, através dos quais não é possível identificar diretamente o usuário. Entretanto, a partir deles é possível saber informações mais generalizadas, como geolocalização, navegador utilizado e se o acesso é por desktop ou mobile, além de identificar outras informações sobre hábitos de navegação.

O usuário tem direito a obter, em relação aos dados tratados pelo nosso site, a qualquer momento, a confirmação do armazenamento desses dados.

O consentimento do usuário titular dos dados será fornecido através do próprio site e seus formulários preenchidos.

De acordo com os termos estabelecidos nesta política, a HGCode não divulgará dados pessoais.

Com o objetivo de garantir maior proteção das informações pessoais que estão no banco de dados, a HGCode implementa medidas contra ameaças físicas e técnicas, a fim de proteger todas as informações pessoais para evitar uso e divulgação não autorizados.

fechar