Especial SO Chrome: por que os CIOs não devem desprezá-lo
Uma análise sobre os impactos para o mercado e para a TI corporativa trazidos pelo lançamento do sistema operacional do Google.
Apenas duas semanas após o Google anunciar o sistema operacional (SO) Chrome, ele já foi saudado como o aniquilador do Windows e desprezado como um fracasso garantido - grandes apostas para um software que nem sequer está finalizado. No entanto, se você é um executivo de TI, não importa muito se o Google poderá, ou não, destronar o Windows no uso de netbooks.
Mais além do entusiasmo sobre o anúncio do Google encontra-se uma questão delicada que vem preocupando os CIOs há algum tempo: quão dramática será a mudança na forma como softwares e aplicativos serão entregues aos usuários finais usando computação centrada na web?
O Google diz que a web será a plataforma para quase todos os aplicativos, usando o navegador para acessá-los. Dada a crescente popularidade no uso de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês), tanto entre consumidores quanto em empresas, a oferta do Google é cativante.
Porém, existem dois problemas com essa ideia. A primeira é que os CIOs tem um grande número de aplicativos essenciais baseados em Windows que não podem ser migrados para a web devido a gastos com desenvolvimento, problemas técnicos ou cuidados com segurança e privacidade, descartando, assim, a possibilidade de usar apenas a web para grande parte dos funcionários.
Steve Ballmer, CEO da Microsoft, afirma que os usuários de computador passam boa parte do tempo sem usar o navegador. Mas isso não descarta um sistema operacional leve e baseado em web, que seria mais apropriado para um pequeno grupo de funcionários ou se rodasse junto com o Windows, e não em seu lugar.
Além disso, é fato que a internet muda a forma como os aplicativos são entregues e usados nas empresas e algumas delas - as mais tradicionais no mercado de software, como a Microsoft, a Oracle e a SAP - estão se adaptando para esta realidade, assim como os CIOs que têm aceitado SaaS como opção para mais aplicativos e para grande parte de suas infraestruturas de TI.
No entanto, o Google parece estar se igualando ao poder da web ao transformar aplicativos com a necessidade de um sistema operacional como o Chrome, mas os executivos de TI não estão convencidos.
Enquanto o SO Chrome chega aos netbooks, com produtos prometidos para o próximo ano, o Google trabalha em sua ampliação para PCs. Isso é típico do Google e a história prova que, se o Chrome obtiver sucesso com os consumidores (como, por exemplo, os serviços de e-mail, documentos online e ferramenta de busca), ele também irá tentar o mercado empresarial.
Um executivo sênior de TI de uma empresa listada na Fortune 50 disse que o SO Chrome "desperta interesse". Mas logo afirma que a empresa possui muitos aplicativos que não são baseados em navegador, portanto "ele seria usado, inicialmente, em um nicho de usuários determinado."
O problema dos aplicativos legados
O Pacific Northwest National Laboratory usa um mix de Windows, Linux e Mac. Seu CIO, Jerry Johnson, declarou que gostaria de diminuir o número de sistemas operacionais usados no laboratório, e não aumentar. Johnson, cuja empresa é administrada pelo Departamento de Energia dos EUA e conduz pesquisas científicas publicas e privadas, não está tão impressionado com a promessa de uma melhor experiência em web.
Dos 4,2 mil funcionários do laboratório, "apenas 20% poderiam passar a maior parte do tempo em SaaS", disse ele referindo-se a aplicativos usados pelo departamento administrativo e RH. O laboratório tem um grande número de aplicativos para pesquisas e negócios que gastariam muito para serem transformados em Web ou seriam barrados devido a controles de segurança.
Os funcionários da empresa sem fins lucrativos Nature Conservancy parecem ser os candidatos ideais para os netbooks do Google. Eles dependem dos aplicativos web da Salesforce.com e da WebEx e passam a maior parte do tempo em trabalho de campo, tornando essencial o uso de um computador leve e portátil.
Mas a empresa também trabalha com aplicativos críticos para os negócios, como programas de gráficos pesados que precisam de software cliente. Israel Sushman, gerente de operações de sistemas e tecnologia da Nature Conservancy, disse que não consegue imaginar a possibilidade da empresa recriar esses aplicativos para um novo sistema operacional ou transferi-los para web.
Esse é um dos obstáculos que o Google ou qualquer outro desenvolvedor de SO que queira desbancar a Microsoft no mundo empresarial, terá de enfrentar. "Aplicativos legados duram para sempre, portanto, mesmo que as empresas usem aplicativos neutros, a grande maioria ainda vai precisar do Windows", disse Michael Silver, analista da Gartner.
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