15/01/2010 | IT Web

China defende sua política para internet

Em resposta à ameaça do Google deixar o país, governo chinês diz que empresas são bem-vindas se operarem dentro das regras.

Desde terça-feira (12/01), o mundo da tecnologia acompanha uma polêmica envolvendo o Google e o governo chinês. Depois de ciberataques lançados contra sua infraestrutura e também de outras empresas, como apontam relatórios, em dezembro último, o gigante das buscas ameaça encerrar suas operações no país asiático e informou que deixaria de aplicar o filtro censor, como indicam as regras naquele país.

Em resposta, como noticiaram agências de notícia, o governo chinês se eximiu de qualquer responsabilidade no ataque e avisou que todas as empresas são bem-vindas desde que operem dentro das regras estabelecidas.

A afirmação de porta-vozes do governo chinês deixa claro que não há possibilidade de negociações na questão do filtro censor em parte das buscas. Desta forma, o Google deve mesmo fechar seus escritórios na China e encerrar a operação do endereço de busca Google.cn, como já declarou anteriormente.

De acordo com o serviço de notícias da BBC, Jiang Yu, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, negou qualquer envolvimento do governo nas ações contra o Google e outras companhias, dizendo ainda que a China é contra qualquer ciberataque e que seu País possui internet aberta. Apesar da declaração, é de conhecimento global, embora o governo chinês não admita, que termos como democracia e direitos humanos passam por controle.

O porta-voz do ministério do Comércio, Yao Jian, que, em declaração publicada pelo Wall Street Journal, diz que todos são bem-vindos, mas precisam respeitar as regras e regulamentações vigentes em seu País. Além disso, Jian avisa que, independente da decisão do Google, as relações comerciais entre China e Estados Unidos não serão alteradas.

Já ao The New York Times, o diretor do China Internet Projet na Academia de Ciências Sociais Chinesa, Guo Liang, afirmou que o Google está usando questões políticas como desculpa, o que seria aceito facilmente pelos ocidentais, e avaliou ainda que, no fundo, esse processo envolve essencialmente falha nos negócios.

Investigações internas do Google revelaram que os ciberataques lançados violaram propriedade intelectual da companhia - embora detalhes não sejam compartilhados - e que o principal objetivo era vasculhar contas de Gmail de pessoas ligadas às organizações de defesa dos direitos humanos na China. Inicialmente, o Google informa que o objetivo não foi alcançado e que apenas duas contas foram acessadas e de forma limitada.

A decisão do Google de não aplicar mais o filtro censor, bem como a saída do país caso o governo não admita a operação sem o filtro, foi comemorada por entidades de direitos humanos.

Apoiando o governo local, o periódico China Daily trouxe na edição desta sexta-feira (15/01) uma reportagem com declarações dos CEOs da Microsoft, Steve Ballmer, e HP, Mark Hurd. Ballmer declarou ao diário que a questão é problema do Google, enquanto Hurd avaliou o mercado chinês como excelente oportunidade de crescimento.

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