21/11/2012 | Patrícia Joaquim - CRN Brasil

A pauta número 1 na mesa do CIO

Três meses para resolver um problema de manutenção de software. Este foi o tempo suficiente para que o Grupo Rendimento rompesse um grande contrato com um fornecedor. O motivo: o funcionário da contratada havia perdido o código-fonte do software. Mas só contou isso ao cliente depois de meses de enrolação.

A empresa, que era justamente responsável pela manutenção do código-fonte, além do levantamento dos requisitos para implementação, foi solicitada pelo Grupo Rendimento para o desenvolvimento de uma nova funcionalidade.
A demora para a entrega da demanda começou a atrapalhar os processos da companhia. Até que foi solicitado ao fornecedor o código-fonte, para que dentro de casa mesmo, eles resolvessem o problema. A surpresa da perda do código e o tempo de omissão levaram o CIO da companhia, Gilberto Rodrigues, a decidir pelo rompimento da parceria. “Eu havia acabado de entrar no cargo e queria dar um crédito ao fornecedor. Mas, por conta de um erro do funcionário, que tinha uma clara inabilidade para executar a função – ele não sabia trabalhar com a ferramenta de gestão de código-fonte, e então a removeu –, a confiança foi rompida. O que aconteceu depois disso foi que mudamos os processos internos, tornando tudo muito mais rigoroso”, revela Rodrigues.

O executivo compartilha a visão dos 65% dos CIOs que atribuíram à escassez de mão de obra a sua maior preocupação quanto ao fornecedor – segundo dados do Antes da TI, a estratégia, de 2012. “Eu concordo mil por cento com esta afirmação. Eu sou um grande contratador de mão de obra para desenvolvimento de sistema e programação e não existe no mercado boa mão de obra para atendimento em campo”. Em sua análise, nos últimos cinco anos, a qualidade dos colaboradores de TI caiu muito.

Em suas conversas com os prestadores de serviço, Rodrigues tem observado dois fatores recorrentes. O primeiro é a dificuldade de reter talentos da geração Y, e também a concorrência, que não tem limites ao fazer propostas com salários muito mais atrativos. “Fica claro que eles preparam um funcionário e, quando ele está pronto, outra empresa o contrata. Enquanto recomeçam o treinamento com uma nova pessoa, ficamos com nossos projetos comprometidos, porque eles o colocam sem estar habilitado para tocar o projeto”, aponta.

O outro fator é que a demanda para os fornecedores de TI aumentou muito. E o que poderia ser o boom dessas empresas passa pelo empecilho da falta de profissionais. Os gastos das companhias brasileiras com TI devem alcançar 134 bilhões de dólares em 2013, o que, se confirmado, representará um aumento de 6% ante a estimativa prevista pelo Gartner. A comemoração já poderia estar acontecendo, não fosse o fato não de haver pessoal para dar conta deste recado.

E aí, o que tanto Rodrigues, como Fábio Ferreira, diretor de TI do Edenred (integra a marcaTicket) relatam é uma choradeira sem fim do fornecedor. A vitimização passa a ser aliada do prestador de serviço, que afirma não atender no prazo e na qualidade esperada por conta do gap da mão de obra.
Visando não passar por situações como esta, Ferreira montou com dois fornecedores, que ele prefere manter em anonimato, uma campanha chamada “jovens talentos”, para treinamento e capacitação de profissionais. “O problema é que temos dificuldade em achar um bom técnico, mas também pessoas com capacidade de comunicação e relacionamento”, pontua.

Além disso, o executivo tem escolhido, junto ao fornecedor, os gerentes dos projetos. “Um projeto nosso já chegou a ter três gerentes diferentes, isto impacta demais nosso negócio. Então, estamos cada vez mais próximos dos parceiros para não termos problemas”, revela.

Outra posição tomada pelo Grupo Rendimento foi a de montar contratos com níveis de serviço ainda mais rígidos, com penalidades financeiras e um controle bem próximo da gestão de contratos. “Temos conseguido manter a qualidade. Os maiores fornecedores já conseguiram um ciclo interno de formação que passa uma confiança um pouco maior. Já o pessoal das fábricas de software ainda sofre porque é preciso maturidade, disciplina e treinamento”, comenta Rodrigues.

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